terça-feira, 28 de julho de 2009

Yo soy un loco...

"...Yo soy un loco
Que se dio cuenta
Que el tiempo es muy poco
Yo soy un loco
Que se dio cuenta
Que el tiempo es muy poco..."
(Andrés Calamaro)

Infelizmente preciso concordar que a ignorância é o mais puro caminho para a felicidade, na verdade ela é o caminho menos doloroso, aquele que não nos deixa pensando em como seria se fosse o contrário.
Faz um tempinho estava voltando do curso de Francês (que estudo aos sábados) e peguei um ônibus que detesto, costumo dizer que é o ônibus da morte, ele é DE morte, para chegar ao destino é necessário que os passageiros possuam um elevado messianismo e uma fé inabalável.
Pois bem, estava eu no ônibus que havia saído há apenas CINCO minutos do terminal rodoviário e ele simplesmente pára e o motorista comunica aos passageiros que o veículo não prosseguirá viagem. Todos os passageiros descem do ônibus conformados (mesmo sabendo que o próximo viria lotado), eu perguntei ao motorista o que havia acontecido e ele disse que o ônibus ESTAVA SEM FREIO. Meu Deus, eu vou ter um troço, xinguei TODOS os palavrões que conhecia e inventei diversos outros. Parecia uma louca varrida, eu era a única daquele jeito.

Desculpe...

1- Como um ônibus sai da garagem, vai para o terminal rodoviário, pega passageiros sem manutenção? Ali dentro está cheio de VIDAS, sonhos, projetos, famílias. Se alguém morre, outras vidas também poderão ser destruídas, despedaçadas pelo sofrimento;
2- Os passageiros não acham nada demais andarem em um veículo que certamente não passou por manutenção e poderiam ter a vida acabada por simplesmente um ônibus da frente parar rápido demais;
3- Eu fui a única que sabia o que estava acontecendo: A empresa não teve o menor respeito pelos passageiros nem consciência pelas vidas alí dentro, as pessoas já estão tão habituadas a esse tipo de problema que esqueceram que estão sendo desrespeitadas, são vítimas de um absurdo, vítimas de um quase/possível crime culposo.
Resultado: Eu quase infartei e todos seguiram viagem achando que eu era um louca varrida. Bem feito pra mim por tentar mostrar aos outros seus direitos.
Eu páro, encaro meu reflevo na janela empoeirada do ônibus parado na minha frente e me pergunto: "-Não vou reclamar? Não vou levar adiante? Deveria processar a empresa?
Pois é...quem roubou nossa coragem?
O ônibus foi o 689 Campo Grande / Méier da linha Ocidental - Denúncias, reclamações ou troca de experiências serão bem recebidas.

2 comentários:

  1. É, Carol... Você está corretíssima quanto a tudo o que disse. Só complementando: as empresas "Ocidental" e "oriental" estavam sob inspeção do governo municipal e iriam perder a licitação por excesso de irregularidades... Pois é... iriam... Por que não foram ainda? Não me pergunte, pergunte ao "Eduardinho"... Não sei o que está havendo, mas se todos esses problemas já foram constatados pelas autoridades, se todos esses problemas já foram divulgados pela imprensa, tem algo mais acontecendo que nós, pobres mortais, não estamos cientes. De repente o que falta é isso mesmo que vc mencionou: "coragem pra botar a boca no trombone!" A maioria da população é EXATAMENTE assim que nem vc mencinou: "um gado que vai pra onde é tocado, sem questionar". Já vi coisas semelhantes acontecerem na linha 391 - Padre Miguel / Tiradentes (Viação Andorinha) e as pessoas reagiram da mesma forma. Reclamei, fui visto como radical, e não deu em nada...

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  2. Fiquei impressionado pela sua coragem.

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